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Cuidados Paliativos e Cuidados Continuados: quais as diferenças

Autoria: Dr. Daniel Canelas — Medicina Geral e Familiar, pós-graduado em Cuidados Paliativos. (Data de publicação: 12 de setembro de 2026)

“Cuidados Paliativos” e “Cuidados Continuados” são frequentemente confundidos — e a confusão atrasa decisões importantes. Este guia explica o que é cada um, como se articulam e como decidir qual faz sentido em cada momento.

O que são os Cuidados Paliativos

Os Cuidados Paliativos são uma área médica especializada, focada em aliviar sintomas e sofrimento perante uma doença grave e avançada e podem ser prestados em qualquer contexto: internamento, consulta externa ou — como no caso da Serena — directamente em casa, através de um serviço privado. Não são exclusivos da fase terminal nem das doenças oncológicas e devem ser prestados o mais precocemente possível perante o diagnóstico de uma doença grave, a fim de atingir os melhores resultados em saúde.

Em Portugal existe a Rede Nacional de Cuidados Paliativos (RNCP) que é constituída por [1]:

  • Unidades de Cuidados Paliativos (UCP): unidades específicas para controlo de sintomas em doença avançada e complexa que exige internamento ou na ausência de um cuidador capaz.
  • Equipas Intra-Hospitalares de Suporte de Cuidados Paliativos (EIHSCP): Equipas multidisciplinares que prestam Cuidados Paliativos em ambiente hospitalar a doentes com necessidades paliativas e dão apoio a outros profissionais sem esta diferenciação em regime de consultadoria.
  • Equipas Comunitárias de Suporte de Cuidados Paliativos (ECSCP): Equipas multidisciplinares que prestam Cuidados Paliativos no domicílio e articulam com os restantes serviços de saúde locais.

O que são os Cuidados Continuados

A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) é um programa público, gerido em articulação entre o Ministério da Saúde e a Segurança Social, para pessoas com doença crónica ou dependência que precisam de cuidados de recuperação ou de manutenção ao longo do tempo [2]. Inclui unidades públicas, sociais e privadas com acordo e organiza-se em várias tipologias:

  • Unidades de Convalescença: internamento de curta duração após um episódio agudo (por exemplo, uma cirurgia ou um AVC), com objectivo de reabilitação.
  • Unidades de Média Duração e Reabilitação: internamento mais prolongado, para recuperação funcional.
  • Unidades de Longa Duração e Manutenção: para pessoas com dependência prolongada, sem perspectiva a curto prazo de recuperação de autonomia.
  • Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI): realizam apoio domiciliário, prestado por equipas do SNS/RNCCI.

Como se articulam na prática

Um doente pode recorrer a Cuidados Paliativos privados ao domicílio enquanto aguarda vaga na RNCP ou RNCCI, não sendo mutuamente exclusivos. Pode até ser feito o acompanhamento em simultâneo, colmatando lacunas de acessibilidade que possam existir no serviço público, como horário de funcionamento mais reduzido ou ausência de resposta em dias não úteis. O objectivo comum é que o alívio de sintomas e o apoio à família não esperem pela burocracia e os tempos de espera da referenciação.

Como pedir referenciação para a RNCP e RNCCI

A referenciação para estas redes é habitualmente feita pelo médico assistente (Cuidados de Saúde Primários ou Hospital), através da Equipa Coordenadora Local ou da Equipa de Gestão de Altas. O processo inclui uma avaliação médica, de enfermagem e social que posteriormente é avaliada por uma equipa gestora e o processo pode demorar [3] — daí muitas famílias recorrerem a Cuidados Paliativos privados enquanto aguardam.

Como a Serena se posiciona

A Serena presta Cuidados Paliativos privados ao domicílio, com início rápido e sem depender de referenciação prévia. Quando faz sentido, apoiamos a família a perceber se as redes providenciadas pelo SNS são também uma via a explorar, articulando com os serviços envolvidos.

Perguntas frequentes

Tenho de escolher entre as redes públicas e a Serena?

Não necessariamente. Podem coexistir, sobretudo enquanto se aguarda vaga na rede pública ou como complemento a uma equipa do SNS.

A RNCP e a RNCCI são gratuitas?

É comparticipada, com uma taxa do utente que varia consoante a tipologia usada e a situação socioeconómica do doente.

Preciso de médico de família para pedir Cuidados Paliativos privados?

Não é necessário — basta contactar a Serena directamente.

Quanto custa e os seguros comparticipam o serviço da Serena?

Fale connosco para um orçamento. Não temos acordo directo com seguradoras.

Não sabe qual a melhor opção para o seu caso?

Fale com a Serena. Ajudamos a perceber o caminho mais adequado, sem compromisso.

Referências e fontes

Esta é uma área sobretudo legal/administrativa, por isso as fontes abaixo incluem diploma legal e estudos de saúde, não só artigos científicos clássicos:

  • Decreto-Lei n.º 52/2012, de 5 de setembro (conhecida como Lei de Bases dos Cuidados Paliativos).
  • Decreto-Lei n.º 101/2006, de 6 de junho (cria a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados — RNCCI).
  • Estudo de caso: “Gestão da alta hospitalar e referenciação para a rede nacional de cuidados continuados integrados: um estudo de caso hospital.” Egitania Sciencia. 2020;2(27):143-161.